sábado, 20 de dezembro de 2008

Comunhão dos Santos

A comunhão dos santos é a união que existe entre todos os membros da Igreja.

Comunhão significa união, ligação, sociedade de várias pessoas que formam um mesmo corpo. Por comunhão dos santos entende-se a união que existe entre todos os membros da sociedade que é a Igreja.

A Igreja é um corpo, cuja cabeça é Jesus Cristo. Ora, um corpo não pode subsistir sem que haja união entre seus membros, bem como entre os membros e a cabeça.

Por "santos", aqui, entende-se os membros da Igreja, e não os santos canonizados.

Todos os membros da Igreja são "santos" no sentido de que estão unidos a Jesus Cristo, que é a própria santidade. É nesse sentido que S. Paulo chama de santos os destinatários de suas epístolas: Vocatis sanctis, e S. Pedro chama a todo o povo cristão uma nação santa. Também pode-se dar esse título aos membros da Igreja militante - os que estão vivos - em razão de seu chamado à santidade, e porque receberam pelo batismo um caráter de santidade.

O efeito da comunhão dos santos é tornar os bens espirituais da Igreja comuns a todos os membros que a compõem.

A Sagrada Escritura em diversas passagens usa a figura do corpo para representar a comunhão dos santos. No corpo existem muitos membros, embora constituam um só corpo; cada qual exerce função diferente e tem dignidade desigual; todos trabalham não para seu próprio interesse apenas, mas tendo em vista o interesse de todo o corpo (por exemplo, o olho vê, o ouvido escuta, a mão trabalha, não para si mesmos, mas para todo o corpo); a união entre eles é tão grande que, se um sofre alguma dor, todo o corpo sofre; a cura de um afeta a todos. Assim, na Igreja, há diversidade de povos, de funções, de dignidades, mas há um só corpo.

O pecado de um afeta a todo o corpo, assim como o mérito.

Somos como vasos comunicantes: quando um se enche, todos se enchem; quando um é esvaziado, todos perdem conteúdo.

A comunhão dos santos faz com que cada graça que Deus concede a um determinado membro da Igreja seja patrimônio de todos os fiéis. Se, numa sociedade, alguns de seus membros se tornam religiosos, ou se santificam, isso redundará em bem para todos os membros da sociedade, e deverá alegrar portanto a todos.

Ensina São Gregório Magno que Deus opera nos corações dos homens da mesma forma que opera nas diversas regiões da terra. Ele poderia ter dado todos os frutos a todos os países, com igualdade. Porém não quis que assim fosse, pois se cada região não tivesse necessidade das outras, não teria com elas nenhuma relação. Eis porque deu a uma a abundância do vinho, a outra do óleo, a outra rebanhos etc. Enquanto umas vão procurar o que as outras produzem, os povos entram em comunicação entre si. Assim também na Igreja, o que é dado a uns beneficia os outros.

Os bens espirituais, ao contrário dos materiais, comunicam-se sem divisão nem diminuição; pelo contrário, eles aumentam na medida em que se comunicam, como a chama de uma vela se comunica a outra, sem nada perder de si mesma.

Assim são os méritos de Cristo, que morreu por todos os homens. Da mesma forma que a luz do sol ilumina a todos, sem que a vantagem que tira dela um diminua a do outro, assim também os méritos de Cristo se aplicam a todos.

O dogma da comunhão dos santos, entretanto, não significa que uma boa obra aproveita da mesma forma, no mesmo grau, àquele que a faz como àquele que não a faz. Em toda obra há um mérito pessoal que é o maior, e somente pode pertencer a quem a faz.

É por causa da comunhão dos santos que podemos rezar e nos sacrificar pelos outros, pedindo a Deus que aplique nossos méritos a determinada pessoa.

E os católicos que se encontram em estado de pecado mortal?

São membros mortos da Igreja, por pertencerem a seu corpo, mas não a sua alma. Estão privados da graça e mortos espiritualmente. Sua participação na comunhão dos santos limita-se à possibilidade de retornar à vida, possibilidade que não existiria se esses membros estivessem separados do corpo. Como um membro paralisado não tem parte nos bens do corpo, assim também eles não participam dos bens espirituais da Igreja. Todavia, por estar unido ao corpo, o membro pode voltar a ter vida. Assim também, o pecador pode voltar a ter a graça santificante.

Sua participação na comunhão dos santos é, portanto, puramente passiva. Eles em nada concorrem para o aumento dos bens da Igreja, enquanto não retornam à graça de Deus.

Os católicos em estado de graça participam da comunhão dos santos, mas de forma desigual, de acordo com suas obras e disposições: quem tem maior amor de Deus acrescenta mais com suas obras boas e ações ao tesouro da Igreja, bem como melhor participa dele.

Portanto, seria errado dizer que devemos nos contentar em estar em estado de graça, não sendo necessário buscar a perfeição, pois simplesmente o estado de graça nos alcança todo o bem espiritual da Igreja. A comunhão dos santos não se destina a favorecer nossa preguiça, mas a compensar nossa fraqueza.

É preciso portanto cultivar a tripla comunhão dos santos, com a Igreja triunfante (honrando os santos do céu), com a Igreja padecente (rezando pelas almas do Purgatório, para que também elas por nós rezem quando ali estivermos), e pela Igreja militante, rezando uns pelos outros.

Esperando tê-la esclarecido, coloco-me à sua disposição.

In Iesu et Maria
Paulo Miranda


Fonte: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20040817210758&lang=bra

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